Tratamento de exceções – Parte 1 – Um pouco de história

Publicado: segunda-feira, junho 4, 2007 em Exceptions


Um pouco da história do porque das exceções do Java serem como são.

Conta o Bjarne Stroutrup, que lá pelos idos de 1984 a 1986, durante o projeto do C++, foi considerada a possibilidade de incluir o tratamento de exceções logo na primeira versão. Isto foi adiado por medo da complexidade adicional que acarretaria à linguagem e também para dar mais tempo ao estudo das suas conseqüências no projeto e na implementação. A avaliação do mecanismo de exceções se estendeu de 1984 até 1989. Foi a primeira facilidade do C++ aberta para discussão pública. O Andrew Koenig, o tal do famoso livro “C Traps and Pitfalls”, e o próprio Bjarne Stroutrup, se dedicaram muito a esta causa. Mas muitos outros tiveram papel importante nas complexas discussões.

Para sentirem o tom das argumentações, o professor Doug McIlroy, um dos gênios do Bell Labs, se colocou contra a inclusão dizendo que os programadores escreveriam código menos confiável lançando exceções ao invés de entender a causa do problema [1]. O Bjarne contra argumentava, que nenhuma facilidade de linguagem consegueria impedir a escrita de código ruim. A primeira implementação de C++ com exceções em um compilador de uso geral só apareceu em 1992. Uma das premissas básicas era a de que elas deveriam ser usadas somente para tratamento de erros [2]. Outra premissa era que não deveria haver a intenção de fazer com que cada função fosse tolerante a falha.

O desenvolvimento do Java começou no início de 1991 a partir de idéias do Bill Joy para uma nova linguagem. Em uma reunião em Aspen, no Colorado, Bill Joy, James Gosling, Mike Sheradin, Patrick Naughton e outros, deram início ao projeto Stealth, que mais tarde se chamou projeto Green. A insatisfação com o uso de C++ no projeto, levou a criação da linguagem que mais tarde se chamou de Java [3].

Como disse, o C++ já tinha tratamento de exceções desde 1992. Só que ainda não era muito usado por ser opcional. Era importante para o Java ser lançado com tratamento de exceções pois precisava mostrar vantagens sobre as linguagens existentes, ao menos em termos de marketing.

Em março de 1995 apareceu o Java 1.02a, que foi a primeira versão alfa tornada pública. Durante os muitos anos dos projetos que redundaram no Java, muitas facilidades de outras linguagens foram estudadas. Fora o C++ e poucas outras linguagens, o tratamento de erros na época, era feito com as funções retornando -1 ou pelo famigerado on error goto do Basic.

O Java foi lançado contemplando o tratamento de exceções tal como é hoje, o que na ocasião foi divulgado como uma das suas grandes vantagens.

No Java o tratamento das exceções de jeito semelhante às outras linguagens é feito por classes que estendem RuntimeException ou Error. São as chamadas unchecked exceptions.

Mas o Java apareceu também com um conceito novo chamado de checked exceptions. É um conjunto especial de exceções estendendo a classe Exception. São checadas em tempo de compilação para conferir se o programador tratou a condição excepcional dentro de uma seqüência try-catch-finally ou a lançou para cima para ser tratada por quem chamou o método.

Como disse o James Gosling no livro The Java Programming Language de 1996: “As checked exceptions forçam o programador considerar o que fazer com os erros onde eles ocorrem no código”. Segundo ele, isto seria muito bom porque as exceções seriam notificadas em tempo de compilação ao invés de ocorrerem em tempo de execução como ocorre com as unchecked exceptions.

Forçar o programador a tratar as checked exceptions foi resposta do Java ao fato de que o conceito de exceções existia opcionalmente no C++ e era pouco usado, talvez porque, na maior parte dos casos só eram capturadas em tempo de execução.

Na verdade, o modo de tratar exceções do Java não fez tanto sucesso como o James Gosling esperava porque poucas linguagens adotaram coisas semelhantes e as que o fizeram, usaram condições mais relaxadas. Exatamente como no Java, eu particularmente não tenho notícia de nenhuma outra linguagem. Só para lembrar, o C# não tem as checked exceptions.

Finalizo a história do tratamento de exceções dizendo que quando aprendi Java em 1996, achei muito boa esta novidade do tratamento de exceções e apesar de ter achado um pouco complicado, gostei muito das checked exceptions.

[1] O Doug foi um dos 6 pioneiros do Multics, um projeto extremamente ousado da Bell Labs e anterior ao Unix. Aliás, o nome Unix veio justamente de uma piada do Brian Kernighan em relação ao Multics:
Unix = “One of whatever Multics was many of” ou “Multics without balls”. Ver: http://www.multicians.org/unix.html

[2] O livro do Bjarne Stroutrup, C++ Programming Language 2nd Ed de 1991, descreve as exceções mais diz que não há nenhuma implementação disponível. Lá ele enfatiza que sempre que possível se deve manter fidelidade ao princípio: “exception handling is error handling”.

[3] History of the World Wide Web – 1.4. History of Java

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